Nós, por preguiça, falta de oportunidade e/ou informação somos acostumados a ver só um lado de cada situação, o lado mais fácil, aquele que é mostrado. Não nos preocupamos em correr atrás das outras tantas versões que podem existir pra uma mesma situação.
No documentário "Ônibus 174", dá pra perceber claramente isso. Pra quem não se lembra, esse ônibus foi o palco de um famoso seqüestro que aconteceu no Rio de Janeiro, em 2000. O seqüestro foi exibido ao vivo pela televisão, cobertura completa.
Bem, voltando ao que interessa, ver esse documentário abriu meus olhos pra toda questão social e política em que a situação se encontrava. Antes, na mais pura ignorância, achava um absurdo aquele marginalzinho sendo defendido pelos direitos humanos, tinha que morrer mesmo, ele fez uma mulher ser morta, aquele FDP!
O documentário me fez ver que o buraco era bem mais embaixo. Uma série de injustiças provocou a injustiça causada pelo seqüestrador. A morte trágica da mãe, a desestruturação da família, a falta de apoio do governo, a decadência dos reformatórios e presídios, a exclusão social (principalmente essa última) contribuíram para o acontecido.
Eu não acho que toda essa maré de azar que cruzou o destino desse menino, desde a infância até o dia de sua morte, seja uma justificativa pra o que ele fez. Mas eu já não posso mais julgar aquele rapaz como eu fazia antes e como a maior parte das pessoas fez quando o assistiu naquele ônibus, em junho de 2000. Ele não é uma vítima, mas a sociedade também não é. Nós criamos os nossos monstros. E depois, gritamos por justiça, segurança, vingança. Nada de ir à raiz do problema, dá muito trabalho. É mais fácil deixar a sociedade como está e os incompatíveis que sejam removidos.
No documentário "Ônibus 174", dá pra perceber claramente isso. Pra quem não se lembra, esse ônibus foi o palco de um famoso seqüestro que aconteceu no Rio de Janeiro, em 2000. O seqüestro foi exibido ao vivo pela televisão, cobertura completa.Bem, voltando ao que interessa, ver esse documentário abriu meus olhos pra toda questão social e política em que a situação se encontrava. Antes, na mais pura ignorância, achava um absurdo aquele marginalzinho sendo defendido pelos direitos humanos, tinha que morrer mesmo, ele fez uma mulher ser morta, aquele FDP!
O documentário me fez ver que o buraco era bem mais embaixo. Uma série de injustiças provocou a injustiça causada pelo seqüestrador. A morte trágica da mãe, a desestruturação da família, a falta de apoio do governo, a decadência dos reformatórios e presídios, a exclusão social (principalmente essa última) contribuíram para o acontecido.
Eu não acho que toda essa maré de azar que cruzou o destino desse menino, desde a infância até o dia de sua morte, seja uma justificativa pra o que ele fez. Mas eu já não posso mais julgar aquele rapaz como eu fazia antes e como a maior parte das pessoas fez quando o assistiu naquele ônibus, em junho de 2000. Ele não é uma vítima, mas a sociedade também não é. Nós criamos os nossos monstros. E depois, gritamos por justiça, segurança, vingança. Nada de ir à raiz do problema, dá muito trabalho. É mais fácil deixar a sociedade como está e os incompatíveis que sejam removidos.
Por Amanda Balbi




Os vários lados da moeda












